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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Veja o mapa do Playcenter, local do Planeta Terra 2010

Sonhando - Mr. Gyn (part. Bruno Gouveia) - 21/09/2010 19h34

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Veja o mapa do Playcenter, local do Planeta Terra 2010

Mapa mostra o acesso e a localização dos dois palcos e outras atrações do Planeta Terra Festival 2010. Foto: Terra Mapa mostra o acesso e a localização dos dois palcos e outras atrações do Planeta Terra Festival 2010
Foto: Terra 

A organização do Planeta Terra Festival 2010, que acontece no dia 20 de novembro no Playcenter, em São Paulo, divulgou nesta sexta-feira (5) o mapa oficial do local do evento, com os acessos e a posição dos dois palcos, o Sonora Main Stage, com as principais atrações, e o Gilette Hands Up o/ Indie Stage, com revelações e artistas mais alternativos.
Ouca aqui no Player do Sonora terra Neste ano, os shows ficam por conta de Smashing Pumpkins, Pavement, Phoenix, Yeasayer, Hot Chip, Empire of the Sun e outros grupos. Os ingressos já estão esgotados.
Planeta Terra Festival
Já marcado no calendário dos fãs de música, o Planeta Terra Festival se tornou um dos eventos mais aguardados do segundo semestre.
Depois de trazer nomes como Lily Allen, Kasabian, Kaiser Chiefs, The Offspring, Foals, The Breeders e Bloc Party, o festival passou a ser realizado no Playcenter, em 2009, e juntou grandes nomes da música aos brinquedos do parque na capital paulista.
No ano passado, Iggy & The Stooges, Sonic Youth, Primal Scream, Maximo Park, The Ting Tings, Metronomy, Patrick Wolf e os brasileiros do Macaco Bong, Móveis Coloniais de Acaju e Copacabana Club embalaram o público

Mr. Gyn - Sonhando ( vers 2 )


Sonhando - Mr. Gyn (part. Bruno Gouveia) - 21/09/2010 19h34
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A musica sonhando que ja Foi gravada pela Banda Mr.GYn "Sonhando", a nova música de Bruno e Marrone

Ouça "Sonhando", a nova música de Bruno e Marrone



A dupla Bruno e Marrone lança nas rádios, na próxima segunda-feira, sua nova música de trabalho, "Sonhando".essa musica ja foi gravado pela Banda My Gyn que viajou o mundo ja e Sucesso e todo mundo que Bruno E Marrone não Vai ser diferente
Por curiosidade, a canção é do vocalista da banda Mr Gyn, Anderson Richards, que fez em homenagem a seu pai, falecido.
A música pode ser ouvida abaixo as duas versões





Zé Henrique

Sonhando(Anderson Richards)(Banda Mr Gyn)

Se passo o dia, paro e escuto o vento
E ainda não posso entender
Como o improvável insiste em acontecer

Se ando sempre no mesmo caminho
E ainda me encontro com alguém
E vejo que não estou sozinho, eu sei

Se passa o dia, o tempo e conto as horas, e eu sem perceber
Que estou parado vendo o seu retrato, e não vou mais te ver
E vou tentando aceitar

Às vezes fujo, corro de mim mesmo, canso e me esqueço de lutar
Sabendo que não posso ser tão tolo assim
Quando me vejo já estou cantando
Solto minha voz e desabafo enfim

Se o telefone toca, eu já sei mesmo que não é você
Se tudo que um dia me falou, eu vejo agora acontecer
Se a saudade aperta e eu não tenho nada a fazer
Se não apenas chorar

Não vou mais querer explicar, eu já sei
Alguém me soprou e falou
Tudo sobre você, que ainda eu vou te ver

Eu quero deitar e sonhar outra vez
Tocar, te ouvir, te sentir
E poder te dizer, como eu amo você
Tocar o meu violão e te ver
Me pedindo pra viver

Conversei por telefone, anteontem, com Zé Henrique, parceiro do Gabriel, e a entrevista foi publicada no UOL
Na conversa, ele falou sobre a nova cara do trabalho dele, mais adequado ao modelo atual da música sertaneja, e foi bem sincero ao falar em adaptação da carreira a um novo mercado.
Perguntei, também, do comentado disco de modas de viola que eles gravaram, mas que nunca foi lançado.
No final da entrevista, ele também falou um pouco da discussão sobre direitos autorais, que ganhou tons polêmicos esse ano.
Para ler a conversa, basta clicar aqui.

domingo, 7 de novembro de 2010

Povo livre tem imprensa livre

Povo livre tem imprensa livre

 
Rua Major Quedinho, esquina com a Martins Fontes, de frente para a avenida São Luís – ali ficava a redação do Estadão, onde comecei no jornalismo e passei por um curso intensivo de politização. O jornal era e ainda é de direita, mas meus amigos, na maioria, eram de esquerda e vivíamos o começo da ditadura militar.

A redação era uma imensa sala que ocupava quase todo o andar, mesas de ferro com cobertura de borracha verde escuro e sobre elas as enormes máquinas de escrever. Uns dez metros, logo depois da entrada, a mesa do redator-chefe. Quando fiz o estágio de um mês que mudaria minha vida, era Cláudio Abramo, ao assumir como reporter tinha havido uma mudança, era Nilo Scalzo.

À direita do redator-chefe, o noticiário local com o magérrimo Cleonte de Oliveira, dedos amarelados de tanto fumar, bigode bem tratado, com quem aprendi o b-a ba da profissão. Um pouco adiante de Nilo, à esquerda, o editor-político Flávio Galvão; à direita Eduardo Martins, voz alta e sonora que ainda me chega aos ouvidos, apesar da metralhadora das teclas compondo nas laudas as notícias que seriam o jornal do dia seguinte. Rubem Biáfora, Sábato Magaldi, críticos de cinema e de teatro; o franzino Vladimir Herzog, com seu sorriso irônico. Lá no fundo, o editor das notícias internacionais, Lenildo Tabosa com seus jovens pupilos, que cometiam erros e tinham fama de extrema-direita.

Ao meu lado, sentava às 19h00, o plantonista da Câmara, rosto fino e magro, que parece estar aqui agora comigo, mas cujo nome não me vem. Num canto á esquerda, um tanto solitário e secreto, Delacir Mazzini. Grandes papos, quando matérias feitas e copidescadas esperávamos o fechamento do jornal. Sua distração era a de memorizar vocabulário de inglês, que ia escrevendo e traduzindo.

De vez em quando, se abria a porta do aquário e surgia o Mesquitão, o Filho, figura imponente, no velho estilo de paulistanos de uma época já extinta. Tinha acabado de fixar a linha política do jornal, cuja redação ficava a cargo do português Miguel Urbano Rodrigues, famoso por ter participado de um dos primeiros sequestros, senão o primeiro no mundo, o do navio Santa Maria. Exilado português, comunista, erudito, que eu transformaria no meu professor e guru.

Comunistas e esquerdistas católicos não faltavam naquela redação. Entre eles, um outro amigo, Ivam de Barros Bella. Redator encarregado de resumir o noticiário nacional das agências e correspondentes. Ficamos logo amigos e, numa visita que lhe fizemos, eu e minha primeira esposa, descobri Georges Brassens num elepê que reencontraria logo no começo de meu exílio em Paris.

Mas naquela época, ninguém pensava que a ditadura de Castelo Branco fosse nos atingir. Ivam tinha o olhar matreiro, quase maldoso, conjugado com um sorriso quase risada e um rosto que enrubescia. Iríamos viver juntos uma bela aventura.

O governo do ditador Castelo Branco decidira criar a censura para a imprensa, da qual o próprio Estadão logo depois seria vítima. Seria possível se fazer alguma coisa ? Aparentemente não, mas em vez de cruzarmos os braços, combinamos o seguinte – haveria uma assembléia-geral do Sindicato dos Jornalistas, presidido naquela época por Adriano Campagnole. Poderíamos reagir, telefonando para alguns colegas de outros jornais comparecerem e assim termos maioria para um protesto contra a censura.

Dito e feito, Campagnole não conseguiu dominar a assembléia e criamos ali a Comissão pela Liberdade da Imprensa, com Ivam como presidente e requisitamos a sede do Sindicato seus telefones e mimeógrafo para a convocação de uma mobilização da população pela liberdade de imprensa. Seria o Encontro com a Liberdade, realizado em janeiro de 67, no Teatro Paramount abarrotado, na avenida Brigadeiro Luiz Antonio. A última manifestação pública permitida pela ditadura, da qual participaram os líderes da oposição à ditadura ainda não presos e não exilados, desde comunistas aos católicos da AP do Brasil Urgente.

Entusiasmados com essa mobilização, nos reunimos Ivam, Narciso Khalili, David de Moraes, Audálio Dantas e outros na Chapa Verde para tomar a direção do Sindicato dos Jornalistas. Foi uma campanha ousada, em plena ditadura que ia começando a apertar. Perdemos feio, por 200 votos, e isso iria nos custar nossos empregos.

Com o exílio nunca mais revi Ivam de Barros Bella, mas sempre perguntava por ele aos companheiros que passavam pela França. Outro dia, publiquei alguma coisa e citei seu nome e, nesta semana recebi um e-mail de sua filha.

Ivam teve duas filhas, eu não sabia. E ela me contou de seu pai, do combatente que foi contra a ditadura, das dificuldades que passou por isso, dos empregos que perdeu. E me escaneou essa foto do Encontro com a Liberdade, na qual estou no meio da mesa, secretariando o encontro presidido por Mario Martins.

Foi assim meu reencontro com Ivam de Barros Bella e é com emoção que lhes escrevo. Mariana, sua filha, me contatou porque leu meu artigo e queria me contar que seu pai, o meu amigo da Major Quedinho, morrera há pouco.

Que vergonha http://xenofobianao.tumblr.com/page/4


Lei que pune discriminação e preconceito

Lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997:
Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Pena: reclusão de um a três anos e multa.

Xenofobia

Atitudes xenofóbicas incluem desde o impedimento à imigração de estrangeiros ou de pessoas pertencentes a diferentes culturas e etnias, consideradas como ameaça, até a defesa do extermínio desses grupos. Por esta razão a xenofobia tende a ser normalmente associada a preconceitos étnicos ou ligados a nacionalidade.



Errata

Gostaríamos de nos desculparmos publicamente com @thata_neri, @luanacunha, @robertofelix, @danizinhagalvao e @Entaovousim, pois coletamos de maneira equivocada seus tweets.
Porém, vale salientar que as mensagens das pessoas acima citadas foram postadas de forma ambígua, na medida em que os responsáveis não deixaram claro que havia continuidade entre tweets anteriores. Isso permitiu possibilidades de interpretações e ocasionou o engano.
Todos os posts foram obtidos a partir da pesquisa pela tag #nordeste no Twitter.
Uma sugestão: vocês poderiam salvar cada post desse blog em páginas e mais páginas em computadores diferentes, assim, se algum hacker tentar por essa página 'abaixo', vocês continuariam a ter as provas dessa xenofobia nojenta. Apoio a ida ao Ministério Público.
Obrigada pela sugestão!
Informamos que todas as imagens estão em mais de um computador.

Sílvio Santos comemora com Hebe Camargo e Ivete Sangalo arrecadação recorde do Teleton

Sílvio Santos comemora com Hebe Camargo e Ivete Sangalo arrecadação recorde do Teleton
Carol Martins, especial para o iG
Foi com quase R$24 milhões que o Teleton encerrou sua 13ª edição, arrecadando fundos para a AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente -, nos estúdios do SBT, em São Paulo, na noite de sábado (06).

"Foi uma honra estar neste momento tão especial e ao lado do Sílvio e da Hebe, que são maravilhosos", disse Ivete Sangalo, nos bastidores, para a imprensa. A cantora baiana animou a plateia com sucessos, como "Na Base do Beijo", e distribuiu para as crianças homenageadas os mascotes da campanha, Nina e Tonzinho.


Divulgação/SBT
Ivete Sangalo nos bastidores




Quem roubou a cena foi a madrinha do evento, Hebe Camargo. A apresentadora simulou um engraçado "desmaio", em surpresa e agradecimento, ao receber o último cheque, da Hipercard, que ultrapassou a meta estipulada de 20 milhões, e fez uma apresentação com Celso Portiolli.

Hebe cantou e dançou com o apresentador, que interpretou a voz de Daniel Boaventura, na canção "El Dia En Que Me Quieras" - música que Boaventura canta com a apresentadora no CD "Hebe Mulher". Portiolli e Hebe deram um show de dança.

O vestido da veterana loira, usado na noite anterior, de abertura, ainda foi leiloado por R$5 milhões, oferecidos por uma mulher da plateia.


Divulgação/SBT
Celso Portiolli e Hebe Camargo



Apresentadores do SBT, responsável pela ação, e muitos outros, foram fundamentais para o sucesso do Teleton. Eliana, Embaixadora do Teleton, mostrou o mesmo pique da noite anterior e passou rapidamente para falar com os jornalistas de plantão. "Este ano fiquei em pé seis horas e foi um orgulho. Não tenho casos na família, mas ninguém está livre disso, portanto é preciso ajudar quem necessita sempre", comunicou a apresentadora da atração que leva seu nome.

Esbanjando simpatia, Carlos Alberto de Nóbrega conversava com água nos olhos. "Não podemos reclamar. Temos que sorrir sempre, porque essas crianças sempre estão com um sorriso estampado no rosto. Temos a obrigação de sermos felizes", incentivou o apresentador do "A Praça é Nossa".


Divulgação/SBT
Hebe e Portiolli trocam um selinho




Animado, Ratinho demonstrou ansiedade. "Eu fico esperando chegar o Teleton. Toda vez eu me emociono porque, diferente dos filmes, toda história contada aqui, tem um final feliz, e através dessas crianças eu aprendo a superação", filosofou o apresentador do "Programa do Ratinho".

Recentemente contratado pelo SBT, depois de 26 anos fora da emissora, Raul Gil bateu um papo descontraído. "É muito emocionante estar aqui pela sexta vez. Sabe qual foi o meu cachê? Eu ganhei pontos com Jesus", brincou o apresentador do "Programa Raul Gil". "Se eu fosse Jesus, criança nunca ficaria "doente"", finalizou.


Divulgação/SBT
Sílvio Santos e Gilberto Kassab



Após demonstrar emoção com depoimento de um paciente que recuperou o andar, através da instituição, Isabella Fiorentino continuou emocionada. "Tenho caso na minha família. O Cacá, primo do meu cunhado, é maravilhoso, e igual a ele, muitos outros necessitam de ajuda. E somos nós que precisamos ajudar", disse a bela, que comanda o "Esquadrão da Moda".

Elegante como sempre, Roberto Justus estufou o peito ao comentar sobre sua participação. "Fiquei muito feliz em fazer uma mobilização como esta, mais uma vez", falou o empresário, que comanda o "Topa ou não Topa".

O sertanejo Bruno mostrou o bom exemplo. "Antes de vir para cá, twitei pedindo aos nossos fãs doações", contou o cantor ao lado do parceiro, Marrone.


Divulgação/SBT
Sílvio, Hebe e Portiolli: total de R$24 milhões




O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, entregou um cheque de R$2 milhões a Sílvio Santos, em nome da prefeitura, e foi aplaudido por todos.

Desde as seis horas da manhã, famosos como Isabel Fillardis, atriz global, as duplas sertanejas Fernando e Sorocaba e Victor e Leo, o cantor Daniel, Celso Zucatelli, apresentador do "Hoje em Dia", da Record, Edgard Piccoli, apresentador da Band, e Roberto Cabrini, apresentador do "Conexão Repórter", do SBT, pediram contribuições ao Brasil, que entraram em contato com os mais de 2 mil atendentes, que trabalharam para receber as doações, na central do Teleton.

http://www.xfm.com.br/

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Mayara Petruso um estrumi humano

Pai da estudante processada por discriminação se diz envergonhado

A pedido da OAB e da Procuradoria da República, Mayara Petruso será investigada por comentários contra nordestinos na internet

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo | 05/11/2010 17:46

O empresário Antonino Petruso, morador de Bragança Paulista, no interior de São Paulo, soube pelos jornais que a filha mais nova, Mayara Penteado Petruso, está sendo alvo de investigação pela Procuradoria Geral da República por crime de preconceito. Ela é a estudante de Direito que, finalizada a apuração que apontou Dilma Rousseff (PT) como nova presidenta do Brasil, desancou a postar frases de preconceito e discriminação contra o povo nordestino na internet.
Nas frases postadas na rede de microblogs Twitter e no Facebook, a jovem sugere o extermínio dos nordestinos e pede o fim do direito de voto para quem não mora na região Sudeste.
Antonino Petruso se disse “surpreso, decepcionado e envergonhado” pela atitude da filha e lamentou que a menina tenha se deixado influenciar pelo “acirramento” do debate eleitoral. “Nunca fui chegado a política e nunca ensinei nada disso para as minha filhas. Tenho um enorme respeito pelos nordestinos e é graças a eles que consigo dar uma vida digna para minha família e pagar a faculdade da Mayara”, disse Petruso ao iG, em entrevista por telefone.

Foto: Reprodução
A estudante de Direito Mayara Penteado Petruso, que postou frases contra nordestinos no Twitter e no Facebook e agora é alvo da Justiça e da OAB e pode ser condenada
Petruso é dono de uma rede de supermercados de Bragança e diz que tem vários clientes e empregados de origem nordestina. Pai de quatro filhos, ele trabalha mais de 15 horas por dia para administrar o negócio herdado do pai. Nos últimos anos, em virtude da melhora da economia, viu os negócios melhorarem graças às políticas econômicas do governo Lula. “Tenho muita simpatia pelo Lula. Ele não resolveu tudo, mas fez um excelente governo. Se a Mayara tivesse me consultado, teria pedido para ela votar na Dilma. Entre todos os candidatos, ela era a melhor opção para o País”, afirmou o empresário.
Relacionamento
Mayara é filha de um relacionamento de Antonino fora do casamento. Embora o empresário financie os estudos e a moradia da jovem em São Paulo, ele narra que o relacionamento com a filha é um pouco distante. “Desde quando ela foi morar em São Paulo, pouco nos falamos. Duas outras filhas também moraram na capital nesses últimos anos, mas ela não mantinha contato nenhum com as irmãs nesse período”, contou.
Desde quando soube do caso, Antonino tenta encontrar a filha para saber o que de fato aconteceu, mas não consegue localizá-la. Após tentar fazer contato com a garota pelo celular e até ligar para a mãe dela, não obteve retorno e se disse preocupado com o que possa estar acontecendo. “A internet tem muito problema de hacker. Eu mesmo já tive o e-mail invadido por eles. Quero ouvir dela o que está acontecendo. Se ela fez mesmo essas coisas graves que os jornais estão dizendo, terá que pagar e responder na Justiça”, disse o pai. “Sou contra qualquer tipo de discriminação. É o pior crime possível e estou muito chateado que a minha filha esteja envolvida nesse tipo de coisa”, desabafou.
“Geyse da FMU”
Mayara é estudante do sexto semestre de Direito da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas). Transferida de uma faculdade da região do Pari, passou a frequentar as aulas no campus da Liberdade apenas neste ano, no período noturno.
Na sala do segundo andar, a estudante sentava no fundo da classe e conversava com alguns poucos colegas de classe, em virtude do pouco tempo na turma. Apesar de muito jovem, com 21 anos, ela já estagiava em um escritório de advocacia durante o dia, mas foi despedida da empresa por causa do episódio. Na classe, os colegas mais próximos dizem que a jovem nunca soltou qualquer comentário preconceituoso e mantinha o respeito com todos os colegas.
“Era uma jovem sorridente e concentrada nos estudos. Conversava com todo mundo que vinha puxar papo com ela, mesmo aqueles de origem nordestina”, disse o estudante identificado apenas como Carlos, que sentava na frente da jovem e fez trabalhos com ela pelo menos duas vezes neste ano.
“Acho que ela foi ingênua e infeliz ao fazer esse tipo de comentário. Foi uma coisa muito feia o que ela disse, mas sei que ela não deve ter agido por mal”, disse outra colega que se identificou como Aline.

Foto: Reprodução
Comentário de Mayara Petruso no Facebook logo após a vitória de Dilma Rousseff na eleição presidencial do último domingo; Preconceito e discriminação contra nordestinos
A história de Mayara ecoou entre os alunos da FMU e foi o principal assunto nesta quinta-feira, data que a reportagem do iG esteve na faculdade. No intervalo, nos elevadores e em todas as salas de aula, as pessoas buscavam identificar quem era a garota apelidada de “Geyse da FMU”, em referência ao episódio da estudante Geyse Arruda, que foi hostilizada por colegas da Uniban por frequentar as aulas  com um vestido cor de rosa curtíssimo.
“A Mayara é a maior celebridade do curso de Direito hoje”, brincou um jovem durante o intervalo das aulas, numa roda com outros cinco jovens do terceiro ano.
“Desde o dia em que o episódio de preconceito veio a tona, Mayara não apareceu mais na faculdade. As amigas mais próximas dizem que ela não atende ao telefone nem responde e-mails. Uma delas chegou até a visitar a república onde Mayara mora com outras duas amigas, mas foi informada de que a jovem teria voltado para Bragança, para a casa da mãe.
Os colegas de sala temem que ela abandone o curso. Todos lamentaram o episódio e disseram até que sentem dó pelo que Mayara está passando. “Ela é muito novinha. Não deve estar sendo fácil enfrentar toda essa pressão”, afirmou a representante de sala.
'Case' de Direito
O caso da jovem de Bragança Paulista está sendo tratado pelos professores como “case” das aulas de Direito Civil. Segundo os alunos, alguns professores até analisaram o caso da jovem pela ótica jurídica. “Um dos professores afirmou que ela pode responder processo por incitação à violência e discriminação”, disse Rafael Prado, estudante do quarto ano de Direito. “Os professores estão usando o caso para alertar os alunos sobre os limites da internet. É capaz até de as aulas de Direito Eletrônico ficarem mais animadas”, brincou o estudante.

Foto: Reprodução
Além do Facebook, Mayara Petruso também postou no Twitter frases de preconceito contra os nordestinos. A jovem agora é alvo de ação da Procuradoria da República de SP

Ameaças e preconceitos
A Segurança da FMU também está em alerta. Para evitar que a jovem sofra qualquer tipo de hostilidade caso volte às aulas, os seguranças passam pela sala 203 na hora da entrada, do intervalo e na saída. Numa dessas rondas, a reportagem do iG foi flagrada dentro da sala de aula, ouvindo os colegas da jovem na hora do intervalo. Ao convidar o repórter a se retirar da faculdade, um dos seguranças disse que os responsáveis pela segurança estão em alerta total porque um jovem de origem nordestina invadiu a universidade da última quarta, ameaçando agredir Mayara. “A sorte é que ela não tem vindo às aulas”, disse o segurança.

O pai de Mayara afirma que o episódio causou muitos problemas para a família. Além de assunto entre a maioria dos jovens de Bragança, uma das irmãs de Mayara tem sido alvo de críticas e comentários preconceituosos na faculdade onde estuda, em Bragança. A jovem confessou ao pai que alguns professores também têm destratado a moça em virtude do episódio. “Gostaria que as pessoas não confundissem as coisas por causa de um sobrenome. A Mayara tem 21 anos e responde por seus atos. O que ela fez foi muito grave, mas nós, familiares, só podemos lamentar e ajudá-la a se livrar desse preconceito ruim”, avalia o pai. “Os que confundem as coisas, incorrem num erro ainda mais grave que o da minha filha”, sentencia.
Desculpas da família
Antonino Petruso soube pelo iG que a filha não está frequentando a faculdade. Com problemas de visão que o impedem de dirigir, o empresário deve viajar a São Paulo no final de semana com uma das filhas para encontrar a filha e tentar orientá-la.
A Procuradoria Regional da República de São Paulo já solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) que abra investigação contra Mayara. O processo foi encaminhado para a procuradora Melissa Garcia Blagitz Abreu e Silva, do Grupo de Combate aos Crimes Cibernéticos).
O pai da jovem promete contratar um advogado para ajudar a filha, mas ressalta que a jovem terá que responder por seus atos. “Preconceito é um crime inaceitável. Se ela fez isso mesmo, terá que pagar. Como pai, peço apenas desculpas aos nordestinos, do fundo do meu coração. Amo o Nordeste e todos os nordestinos merecem o meu respeito”, declarou Antonino Petruso.
Lá fora
O caso chegou a repercutir na imprensa internacional. O site do jornal britânico The Telegraph publicou reportagem do seu correspondente no Brasil a respeito do assunto. A matéria diz que se a jovem for condenada pela Justiça, poderá pegar uma pena de dois a cinco anos de prisão por racismo. Ou então, de três a seis meses - ou multa - por incitar o assassinato na internet.
O jornal britânico também lembrou a diversidade étnica do Brasil e afirmou que os metiços formam a grande maioria da população brasileira.

Foto: Reprodução
Repercussão do caso de Mayara Petruso na página do jornal britânico "The Telegraph".