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domingo, 10 de julho de 2011

Pena de morte em dois tempos

O sempre polêmico tema da pena de morte frequentou a mídia esta semana nos Estados Unidos em situações absolutamente opostas.


No primeiro caso, que alcançou repercussão nunca vista em termos de cobertura televisiva, Casey Anthony, uma jovem mãe de apenas 25 anos, foi absolvida da acusação de ter matado a filha de dois anos, em Orlando, na Flórida, quando todas, rigorosamente todas, as evidências indicavam que ela seria condenada à pena capital (mãe e filha na foto de arquivo).

A surpreendente decisão do juri popular resultou numa das mais agressivas reações de quase toda a mídia contra Casey, que se prolonga até hoje e, pelo visto, vai seguir cada vez mais furiosa até domingo que vem, quando ela deixar a prisão onde passou os últimos três anos. Apresentadoras de programas jurídico/policiais da CNN e do canal de Justiça insuflam abertamente as pessoas a não permitirem que a moça saia às ruas. Só não pregam seu linchamento porque sabem que terão que enfrentar as consequências, mas não lhes falta vontade.

Enquanto apresentadores pregavam o ódio a Casey, a equipe de defesa comemorava uma vitória quase impossível. Bem comparando, eu diria que foi como se uma equipe de várzea do interior, dessas bem chinfrim, derrotasse a seleção espanhola campeã do mundo. Ou, uma chance em mil.

No meio da comemoração, o principal advogado de defesa, Jose Baez, de origem hispânica, condenou a pena de morte nos Estados Unidos, considerando inconcebível que o país “continue matando seus próprios cidadãos”. Mais adiante, disse que quando chegasse em casa naquela noite, sua filha lhe perguntaria:

- O que você fez hoje no trabalho, papai?

- Eu vou dizer a ela simplesmente “salvei uma vida”.

O outro caso aconteceu no Texas, o Estado que mais aplica a pena de morte nos EUA. Na quinta-feira, o mexicano Humberto Leal, de 38 anos, tomou uma dose de injeção letal e apagou para sempre. De nada adiantaram apelos do presidente Obama e de organizações internacionais, não que Humberto merecesse tratamento especial, enquanto condenado, mas sim porque executaram um cidadão estrangeiro.

De fato, Humberto, apesar de morar nos EUA desde os dois anos de idade, não era legalizado. E ele, que em 1994, quando tinha 21 anos, estuprou e matou uma garota de 16, foi executado sem lhe darem a chance de recorrer a uma Corte internacional, como teria direito por ser um cidadão estrangeiro. Como Humberto, há outros 51 mexicanos na mesma situação no Texas, estrangeiros condenados à morte.



A Suprema Corte, por 5 a 4, manteve a ordem de execução, recusando o apelo da Casa Branca. Para Obama, executar um estrangeiro significa violar uma convenção internacional. E mostrou preocupação com o que pode acontecer com cidadãos americanos que cometam crimes no exterior.



O governador do Texas, Rick Perry, potencial candidato à presidência, que pertence a ala mais radical do Partido Republicano, aquela que prega linha duríssima contra os imigrantes indocumentados, mostrou-se quem é ao justificar a execução:

“Aqui no Texas, não tem essa de convenção internacional. Cometeu o crime aqui, vai ser executado aqui, pode ser estrangeiro ou não”.

Já imaginaram esse homem na presidência dos Estados Unidos?


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EUA já vivem clima de campanha

Publicado em 10/07/2011


EUA já vivem clima de campanha

A eleição para presidente dos EUA está distante, mas o clima de campanha já começou – para os dois lados. Enquanto os democratas têm seu candidato natural e trabalharão pela reeleição de Barack Obama, os republicanos começam a esquentar os motores para ver quem será o ungido do partido para desafiar o atual ocupante da Casa Branca.

Os candidatos são de vários matizes. Desde aqueles mais preocupados em enfatizar as questões econômicas como Mitt Romney e Tim Pawlenty até um sujeito totalmente anárquico como Ron Paul, passando pelo polêmico Newt Gingrich e chegando aos ultraconservadores Rick Santorum e Michelle Bachmann.

Recentemente, uma passagem contida num blog mantido por um grupo conservador de Iowa provocou muita controvérsia no feudo republicano. Os autores sugeriram que os filhos de negros nascidos nos EUA na época da escravidão estariam em melhores condições no país do que aqueles que nasceram sob o governo de um presidente negro.

Desnecessário dizer que isto foi motivo de forte reação da comunidade negra americana e exigiu a retirada deste trecho da manifestação do grupo conservador. Mais ainda, a ex-deputada por Minnesota, Michelle Bachmann, e o ex-senador pela Pensilvânia, Rick Santorum, negaram veementemente terem endossado estas declarações, como haviam acusado grupos liberais.

Ambos enfatizaram que defendem e lutam pelos “votos do matrimônio”, ou seja, combatem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o aborto, a infidelidade e a pornografia e são a favor da indissolubilildade do casamento entre um homem e uma mulher. A própria Michelle Bachmann é casada com o mesmo homem por 32 anos.

Aliás, ela pode ser a grande surpresa das próximas eleições. Com este discurso conservador que tem forte apelo junto a um eleitorado com visão mais retrógrada, Michelle Bachmann vem surgindo como uma forte candidata, sobretudo por ter o apoio explícito do Tea Party, movimento conservador que luta pelo fim dos impostos e é extremamente xenófobo, pregando a deportação de imigrantes indocumentados, além mais protecionismo às empresas americanas.

Muita gente duvida que ela consiga vencer as primárias do Partido Republicano e seja ratificada como a candidata oficial do partido para a eleição presidencial do próximo ano. Porque, com esta plataforma, ela afasta os eleitores conservadores mais inteligentes que jamais endossariam uma insensatez desta. Desta forma, a chance de Obama se reeleger aumenta significativamente. E o Tea Party não possui votos suficientes para suprir a ausência desta fatia do eleitorado conservador. Sem contar que muitas empresas relutariam em financiar a campanha de uma pessoa com uma plataforma tão radical quanto irreal.

Apesar de tudo, Michelle Bachmann vem transformando-se no novo fator da política conservadora americana, ocupando o lugar que era até então de Sarah Palin. A ex-governadora do Alasca, porém, parece bem mais disposta a faturar com venda de livros e palestras do que se lançar em uma aventura política. Ela foi seduzida pela mídia, assim como Mike Huckabee, ex-governador de Arkansas e preferido do eleitorado evangélico do interior dos EUA. Hoje, ele tem um programa na rede Fox News, cujo slogan é “fair and balanced” - algo que definitivamente não condiz com a verdade.

Intramuros, comenta-se que os coordenadores do Partido Democrata torcem pela vitória de Michelle Bachmann, a quem consideram fácil de ser batida numa eleição e uma pessoa sem carisma para enfrentar Barack Obama em debates. No entanto, antes de mais nada, é preciso o atual governo fazer a parte dele porque as últimas notícias não têm sido animadoras, com os indicadores apontando um mercado imobiliário quase parado e a taxa de desemprego em alta.


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Avecerização social

O Acidente Vascular Cerebral ou “derrame” é a doença que mais mata no Brasil. 250.000 pessoas morrem a cada ano. Um milhão de sequelados a cada ano, que se tornam “invisíveis” para a sociedade. Em cada três pessoas que morrem no Brasil por problemas no coração, dois são por AVC. As causas mais frequentes do AVC clínico: indústria do fumo, indústria do álcool, agronegócios ( o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos - 5 kg. por pessoa/ano), transgênicos em quantidade industrial, hipertensão, diabetes, sal caseiro e industrializado. A população não dispõe de informação, prevenção, medicamentos adequados, reabilitação. Assim torna-se um dramático e gravíssimo quadro de Doença Pública.


O princípio básico do Direito é a vida. A Medicina trata das doenças. A Saúde quem promove é a Justiça Social. E a avecerização social?

Parece que as elites consideram que todos nós tivemos um AVC, perda de equilíbrio, tonteira, perda parcial ou total da consciência, dificuldade na fala e expressão.. Parece que não temos nenhuma informação, não somos capazes de discernir a realidade, e nem podemos mudar essa trágica realidade.O pressuposto é que não temos nenhuma noção do real, e nem vamos ter.

O modelo em que vivemos, o modelo capitalista, está e é totalmente contaminado. Está caminhando para uma grande barbárie social. Segundo este modelo, quanto mais avecerização social, melhor para os engenhosos negócios do “tirar mais, bem mais, e pagar muito menos”. O pressuposto de quanto mais perda de equilíbrio na questão salarial, com déficits e dívidas cada vez mais altos, melhor para o famigerado lucro, que ceifa mais vidas que o próprio “derrame”.

O pressuposto de tonteira é responsabilidade das produções de espetáculos e megaespetáculos midiáticos, produzidos pelos “adestradores” ou “amestradores” regiamente pagos pelos grandes patrões, os megaempresários multicionalizados que embolsam o que era devido para a Saúde, a Educação, para o homem do campo, para os salários, para os direitos humanos. E as dívidas e os pagamentos desta festa caríssima crescem assustadoramente.

O pressuposto de perda parcial ou total da consciência inicia-se com os “arcos do triunfo” de uma corrupção generalizada, pois a premissa básica do modelo capitalista é a corrupção, a sedução, a compra e venda a qualquer preço de “benesses”, no qual “o mais forte vence, a qualquer preço”, é a lei “do mais forte”, melhor dizendo, do mais corrupto.

O pressuposto da dificuldade de fala e expressão provem da manipulação das leis pelas elites, pois a leis foram feitas para elas, em nome delas. E, se por acaso, alguma coisa não sair bem, mudam-se as leis, para beneficiar mais ainda. E se ainda não for suficiente, cria-se então uma guerra, o apanágio do capitalismo vigente para mostrar sua força, rapinagem, seu desprezo à vida e adoração e conquista de lucros e bens.

Estamos vivendo uma guerra não declarada , a avecerização social está mais do que presente, com toda sua força e destruição, subsidiada pelo AVC clínico ou “derrame” que continua matando, matando com a total omissão dos “donos” do poder.

O princípio básico do Direito é vida com dignidade e bem-estar. A Saúde é quem promove a Justiça Social, combatendo a injustiça, os privilégios, a arrogância, a prepotência.

As mudanças dos pressupostos básicos trarão certamente um aumento expressivo dos índices de um melhor viver.

E para a Medicina, deixamos o tratamento do AVC clínico, com informação, prevenção, medicamentos adequados, reabilitação em todas Unidades de Saúde do Brasil.

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Reflexos da privataria

Os bueiros bombas da Light no Rio de Janeiro remetem a uma questão que remonta a vários governos: a balela da privatização. O governo Fernando Henrique Cardoso, seguindo a orientação do chamado Consenso de Washington, que teve início no de Fernando Collor, incutiu na opinião pública que todos os problemas brasileiros se resolveriam com a privatização das principais empresas estatais. O governo Lula, em menor grau, seguiu a prédica.


Cardoso empenhou o país com a propaganda enganosa de que as empresas prestadoras de serviços essenciais à população desempenhariam melhor as funções se ficassem em mãos privadas. Não foi bem isso o que aconteceu, da mesma forma que em países vizinhos como a Argentina, na era Carlos Menem.

Neste momento, os cariocas estão literalmente sentindo na pele como um serviço essencial como o da energia, sob controle privado, se deteriora e tudo fica por isso mesmo. Nas últimas semanas, os meios de comunicação informaram quase diariamente sobre a explosão de bueiros da Light provocando vítimas. No ano passado, um casal de turistas estadunidenses foi atingido sendo que a mulher teve 80% do corpo queimado. Em abril deste ano, em plena avenida Copacabana, no posto 4, por muito pouco não ocorreu uma tragédia de graves proporções com uma nova explosão, que deixou feridos.

Depois de muitas ocorrências, o Ministério Público estadual decidiu recomendar uma tímida medida, qual seja o pagamento de multa de 100 mil reais por cada bueiro voador. Isso e nada é quase a mesma coisa. Esperava-se que o serviço fosse se não reestatizado, pelo menos a concessão da Light cassada.

Na verdade, as autoridades não querem dar o braço a torcer, pois se adotassem medidas mais concretas do que uma multa irrisória estariam admitindo que a privatização não resolveu coisa alguma, muito pelo contrário. As empresas concessionárias contam com o fator impunidade e só se preocupam com a deterioração dos serviços a partir do momento que sua imagem é afetada.

O metrô do Rio e os trens da Supervia privatizados são também exemplos gritantes de como os serviços se deterioraram e tudo ficou por isso mesmo. Para se ter uma ideia, na Supervia os seguranças chegaram a dar chicotadas nos usuários. Os serviços são abaixo da crítica, mas também nada acontece. A concessionária da Supervia teve até renovada a concessão por mais duas décadas e meia. Que aí tem truta, ninguém mais duvida.

Quanto à corrupção no Ministério dos Transportes, não chega a ser fato novo. Desde a época da ditadura, e até antes, o setor é ocupado por figuras notórias vinculadas a esquemas mafiosos. Durante a ditadura não se podia divulgar nada que colocasse em questão a imagem dos responsáveis pelos mais amplos setores do Ministério.

O único fato novo deste mais recente episódio que culminou com a demissão forçada do Ministro Alfredo Nascimento foi à divulgação da bandalheira. Pergunta-se: como a revista Veja, uma publicação de jornalismo rasteiro, teve acesso? É óbvio que só se sabe destas coisas quando há interesses contrariados. Ou então quando se quer afastar algum corrupto que passou dos limites.

A oposição, que continua completamente sem bandeiras, aproveita o embalo para tentar ganhar pontos junto ao eleitorado. Mas, convenhamos, críticas oriundas de ACM Neto, Rodrigo Maia, filho de quem é e cia. ltda. não podem ser encaradas como se fossem algo com lisura. Ou ainda a patota dos tucanos, responsáveis pela privataria dos anos FHC, que moral tem esta gente para falar sobre corrupção?

Uma coisa é certa, no capitalismo brasileiro melhor investimento do que ser filho de ministro é impossível, como comprova o filho de Alfredo Nascimento, que em três ano enriqueceu com sua empresa 86 mil por cento. Convenhamos, ganho igual é difícil em qualquer parte do mundo.

A recente inauguração do teleférico no morro do Alemão remete aos anos 80. Quando o então governador Leonel Brizola falava em construir um teleférico no Morro do Pavão Pavãozinho, a direita e a mídia de mercado não o deixaram em paz com críticas veementes contra o “populismo”. Em relação aos Cieps houve até políticos que se denominavam de esquerda fazendo críticas dizendo que escola não era restaurante e coisas do gênero. Depois, para variar, fizeram autocrítica.

Na semana que passou, a Presidenta Dilma participou da inauguração no Morro do Alemão e hoje se admite que se a proposta original dos Cieps, de Darcy Ribeiro, não sofresse solução de continuidade como aconteceu a partir do governador Marcelo Alencar e prefeitos como Cesar Maia e Luis Paulo Conde a geração dos jovens que aderiram ao tráfico poderia ter tido outro destino.

No dia seguinte a inauguração, enquanto o jornal O Globo publicava o trio Dilma Rousseff, Sergio Cabral e Eduardo Paes sorrindo no teleférico, O Dia ilustrava na primeira página a foto de um amigo de Juan com lágrima nos olhos. Ele chorava a morte do amigo assassinado pela Polícia Militar em Nova Iguaçu. Se Dilma Rousseff tivesse uma melhor assessoria, em vez de fazer marketing no Morro do Alemão ao lado do governador e do prefeito poderia ter lançado uma nota de repúdio a mais um ato hediondo da PM, que por pouco não foi abafado e valeu oficialmente apenas uma tímida nota do Secretário de Segurança, Mariano Beltrame admitindo o erro da polícia. E também, depois do assassinato, a polícia decidiu adotar maior rigor de fiscalização de seus efetivos nas operações que envolvem confrontos.


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Nos bueiros da privatização

Os habitantes da cidade do Rio de Janeiro vêm experimentando, de alguns meses para cá, sensação similar à daquelas pessoas que vivem em regiões conflagradas, nas quais, a qualquer momento, pode explodir uma bomba e, com ela, muitas vidas. Até aqui, mais de cinquenta bueiros foram repentinamente para o ar , em movimentadas ruas do Rio. Se, por sorte, nem todas as explosões provocaram consequências trágicas, algumas causaram sérios problemas aos cidadãos atingidos, com danos físicos e prejuízos materiais.


O assunto leva a um tema que, volta e meia, se coloca em discussão: a questão das privatizações. Sobre ele, não dá para ficar em cima do muro. Nem dentro do bueiro...

Pode parecer, a muitos ingênuos, que a discussão do assunto seja apenas um mote para, de tempos em tempos, ativar discussões políticas. Contudo, um espectador atento da cena nacional sabe que está aí, realmente, um grande divisor de águas entre dois modelos de administração do interesse público.

Os bueiros em questão são cerca de 40.000, presentes nos quase 6.000 quilômetros da rede subterrânea da cidade e espalhados por logradouros de grande movimentação de carros e pedestres. São da responsabilidade da Light, uma das “jóias” do processo generalizado de privatizações empreendido no governo de Fernando Henrique Cardoso, tendo Serra como seu ministro de Planejamento.

No caso, a privatização data de 1996, feita através de leilão na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. A Light, depois de um longo período sob administração do Governo Federal, foi arrematada por um consórcio de três empresas. Como aconteceu então com a Eletropaulo, em São Paulo, houve dinheiro subsidiado no negócio, em processo que envolveu BNDES e a Eletrobras, além da Companhia Siderúrgica Nacional, também privatizada. Depois de consolidado o controle da empresa pelo grupo francês EDF, acabou acontecendo, em 2006. um contrato de compra e venda, cujos meandros não cabem neste artigo, mas de que resultou, em 2009, a passagem da administração para a CEMIG, companhia de capital aberto controlada pelo Governo do Estado de Minas Gerais, uma das participantes do consórcio original.

O que agora acontece no Rio de Janeiro reflete a mentira que sempre se embutiu na “lógica” dos processos de privatização: a excelência da iniciativa privada, quando comparada à ineficiência da administração pública. O que se percebe , claramente, é o desleixo, a incompetência, a desatenção com que a empresa foi “cuidada” sob controle da iniciativa privada, com ausência de investimentos e falta de manutenção. A todo tempo, vêm à baila declarações de que “os equipamentos são antigos”, “precisam de reforma”, ou de que a culpa dos episódios que estão gerando pânico e insegurança deve-se ao ”número excessivo de serviços terceirizados”, ou , mesmo, a uma misteriosa “sabotagem” que estaria em curso, gerando as explosões. Também tem sido apresentada como corresponsável pelas ocorrências – que envolveriam vazamento de gás - a CEG, empresa igualmente privatizada, em 1997.

Qualquer brasileiro antenado ao mundo em que vive conhece as “excelências” dos serviços privatizados. Lembro-me que, nas eleições, o carro-chefe do empreendimento privado, mencionado a toda hora pelos tucanos de plantão como exemplo de eficiência, era o celular. Esqueciam-se, é óbvio, de citar os recordistas números de reclamações dos consumidores, envolvendo esse serviço. Com igual conveniência, também omitiam o fato de que a tarifa média do celular no Brasil é a segunda mais cara do mundo, atrás somente da África do Sul. Contudo, o verdadeiro bombardeio midiático a favor da compra do celular com todas as parafernálias supérfluas que o acompanham levam o nosso país à estranha situação de ter quase mais celulares do que pessoas... Isso é bom? É disso que precisamos?

A empresa Vale do Rio Doce, em operação até hoje cercada de desconfianças (que, à época, levou a revista “Veja” e estampar em sua capa a manchete “Propina na privatização”), foi vendida por 3,4 bilhões, importância que corresponde atualmente a uma parcela do seu lucro trimestral. E hoje vale quase 200 bilhões. Bom para o Brasil? Bom para os brasileiros?

As estradas brasileiras privatizadas vão bem, obrigado, dirão alguns defensores do processo. Mas é só comparar os pedágios que hoje se pagam à iniciativa privada com aqueles de antes para perceber que o que está atrás de tudo isso é uma soma enorme de recursos – antes não disponíveis - que permitem um lucro vergonhoso e, é claro, uma manutenção melhor...

O episódio da Light explode no Rio de Janeiro como uma das faces do mentiroso projeto neoliberal que tem nas privatizações a cereja do bolo. Também deixa entrever uma certa ausência de comprometimento dos órgãos de fiscalização e controle , as chamadas agências, que só agem depois da casa arrombada e, aí, acenam com multas, punições, e coisas do gênero.

E antes que alguém comente os procedimentos do atual governo tendentes à privatização – no caso dos aeroportos, por exemplo -, tenho posição clara sobre isso: venha de onde vier, a iniciativa de privatizar é nefasta ao povo. Alguns, no entanto, se utilizam dela conjunturalmente, não a tem como dogma. Outros pretendiam até privatizar a Petrobras (Petrobrax?). É fácil imaginar, depois da descoberta do pré-sal, os inestimáveis prejuízos que isso traria a toda a nação brasileira.

Há portanto, atos e fatos a considerar, nesse tópico “privatizações”, claramente contrários ao interesse do povo brasileiro. Eles são mais fortes do que qualquer discurso barato e demagógico que, às vésperas de uma ou outra definição eleitoral, procure iludir o eleitor.


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Lançado em BH o Sertanejo Pop Festival


Dez shows, mais de 16 horas de música e expectativa de cerca de 40 mil fãs se divertindo em dois dias de espetáculo inesquecível. Assim será a primeira edição mineira do Sertanejo Pop Festival 2011, dias 16 e 17 de julho, no ExpoMinas, em Belo Horizonte. Com line up invejável, o evento recebe nomes como João Bosco & Vinícius, Michel Teló, Gusttavo Lima, Luan Santana, entre outros, que prometem um espetáculo diferente de tudo o que a cidade já presenciou.




O sucesso em São Paulo em 2010 foi tão grande que era mais do que esperado que a cidade não só recebesse a segunda edição (13 e 14 de agosto), como também o Festival fosse realizado em outras praças. Idealizado pela XYZ Live, em parceria com a Som Livre e, regionalmente (BH), com a DM Promoções, com o patrocínio máster do Bradesco o evento promete ser, novamente, um marco no segmento. De 2008 pra cá inúmeros músicos surgiram, consolidaram suas carreiras e se tornaram fenômenos no cenário do sertanejo. “No ranking nacional das 10 músicas mais tocadas em 2010, as nove primeiras são sertanejas”, conta Marcelo Soares, diretor geral da Som Livre.



E os números, de fato, impressionam. O Sertanejo Pop Festival montará um verdadeiro batalhão coeso e competente para sua turnê. São cerca de 600 pessoas trabalhando direta ou indiretamente, 60 toneladas de equipamentos de som e 20 toneladas de equipamentos de vídeo, 3000 lâmpadas, 1200km de cabos e 30 toneladas de equipamentos de luz.



Vila Sertaneja



O evento contará com um espaço especial: a Vila Sertaneja. Nela ficará o Coreto Musical, local onde artistas locais vão animar o público durante os intervalos dos principais shows. As duplas Pedro Paulo & Gil, Victor & Guilherme, Rick & Ricardo, Luiz Gustavo & Alessandro, Luiz Guilherme & Daniel e a banda Chaparrall se apresentarão divididas entre os dois dias do evento.



Merece destaque a participação da dupla Pedro Paulo & Gil, participantes da edição 2010 do Programa Vozes do Morro. Naturais de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, os primos cantam juntos desde 2008. O Vozes do Morro é um programa do Servas e do Governo de Minas, que mobiliza as comunidades e tem participação de moradores de vilas, favelas e aglomerados de Belo Horizonte – e de Ibirité, Ribeirão das Neves e Santa Luzia, municípios da Região Metropolitana de BH com mais de 100 mil habitantes e IDH-renda inferior a 0,65.



Local é show



Além da programação incomparável, é destaque o local dos shows. O ExpoMinas, um dos mais modernos centros de eventos do país, oferece uma infraestrutura exemplar, com tecnologia de ponta, avançado sistema de proteção acústica, além de ser o único Centro de Exposições da América Latina ligado diretamente a uma estação de metrô. Com rapidez, conforto e segurança, o metrô liga, em poucos minutos, o centro da cidade à Estação Gameleira. O local foi preparado para receber o público em três espaços: Pista Sertaneja (o maior espaço do evento); Espaço Alambique (área VIP localizada entre a pista e o camarote, com espaço reservado em frente ao palco); Camarote Prime (principal Camarote do evento, com open bar e open food com comidas típicas, como caldos e cachorro-quente, além de decoração temática no estilo country e serviços exclusivos).



30ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Machador



O Sertanejo Pop Festival será realizado simultaneamente à 30ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Machador, organizada no Parque da Gameleira de 13 e 23 de julho. Um dos maiores eventos eqüestres da América Latina, a exposição oferecerá diversas atividades, com espaços para realização de provas funcionais, julgamento dos animais, leilões, restaurantes, bares, entre outros. A Exposição Nacional tem como objetivo a avaliação dos animais inscritos em diversos quesitos, além de promover interação entre os criadores dos quatro cantos do País.

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Dez shows, mais de 16 horas de música e expectativa de cerca de 40 mil fãs se divertindo em dois dias de espetáculo inesquecível. Assim será a primeira edição mineira do Sertanejo Pop Festival 2011, dias 16 e 17 de julho, no ExpoMinas, em Belo Horizonte. Com line up invejável, o evento recebe nomes como João Bosco & Vinícius, Michel Teló, Gusttavo Lima, Luan Santana, entre outros, que prometem um espetáculo diferente de tudo o que a cidade já presenciou.



O sucesso em São Paulo em 2010 foi tão grande que era mais do que esperado que a cidade não só recebesse a segunda edição (13 e 14 de agosto), como também o Festival fosse realizado em outras praças. Idealizado pela XYZ Live, em parceria com a Som Livre e, regionalmente (BH), com a DM Promoções, com o patrocínio máster do Bradesco o evento promete ser, novamente, um marco no segmento. De 2008 pra cá inúmeros músicos surgiram, consolidaram suas carreiras e se tornaram fenômenos no cenário do sertanejo. “No ranking nacional das 10 músicas mais tocadas em 2010, as nove primeiras são sertanejas”, conta Marcelo Soares, diretor geral da Som Livre.



E os números, de fato, impressionam. O Sertanejo Pop Festival montará um verdadeiro batalhão coeso e competente para sua turnê. São cerca de 600 pessoas trabalhando direta ou indiretamente, 60 toneladas de equipamentos de som e 20 toneladas de equipamentos de vídeo, 3000 lâmpadas, 1200km de cabos e 30 toneladas de equipamentos de luz.



Vila Sertaneja



O evento contará com um espaço especial: a Vila Sertaneja. Nela ficará o Coreto Musical, local onde artistas locais vão animar o público durante os intervalos dos principais shows. As duplas Pedro Paulo & Gil, Victor & Guilherme, Rick & Ricardo, Luiz Gustavo & Alessandro, Luiz Guilherme & Daniel e a banda Chaparrall se apresentarão divididas entre os dois dias do evento.



Merece destaque a participação da dupla Pedro Paulo & Gil, participantes da edição 2010 do Programa Vozes do Morro. Naturais de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, os primos cantam juntos desde 2008. O Vozes do Morro é um programa do Servas e do Governo de Minas, que mobiliza as comunidades e tem participação de moradores de vilas, favelas e aglomerados de Belo Horizonte – e de Ibirité, Ribeirão das Neves e Santa Luzia, municípios da Região Metropolitana de BH com mais de 100 mil habitantes e IDH-renda inferior a 0,65.



Local é show



Além da programação incomparável, é destaque o local dos shows. O ExpoMinas, um dos mais modernos centros de eventos do país, oferece uma infraestrutura exemplar, com tecnologia de ponta, avançado sistema de proteção acústica, além de ser o único Centro de Exposições da América Latina ligado diretamente a uma estação de metrô. Com rapidez, conforto e segurança, o metrô liga, em poucos minutos, o centro da cidade à Estação Gameleira. O local foi preparado para receber o público em três espaços: Pista Sertaneja (o maior espaço do evento); Espaço Alambique (área VIP localizada entre a pista e o camarote, com espaço reservado em frente ao palco); Camarote Prime (principal Camarote do evento, com open bar e open food com comidas típicas, como caldos e cachorro-quente, além de decoração temática no estilo country e serviços exclusivos).



30ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Machador



O Sertanejo Pop Festival será realizado simultaneamente à 30ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Machador, organizada no Parque da Gameleira de 13 e 23 de julho. Um dos maiores eventos eqüestres da América Latina, a exposição oferecerá diversas atividades, com espaços para realização de provas funcionais, julgamento dos animais, leilões, restaurantes, bares, entre outros. A Exposição Nacional tem como objetivo a avaliação dos animais inscritos em diversos quesitos, além de promover interação entre os criadores dos quatro cantos do País.

Belo Horizonte




Local:ExpoMinas - Avenida Amazonas, 6.030 - Bairro Gameleira







Datas:16 e 17 de julho



Início dos shows: 16h



Abertura dos portões: 14h



Venda de ingressos:



Local de venda:



- lojas Água de Cheiro do BH Shopping, Big Shopping, Boulevard Shopping, Itaú Power Shopping, Minas Shopping, Shopping Del Rey, Shopping Plaza Anchieta e Shopping de Sete Lagoas.



- Stand Piso G no Shopping Cidade



- Loja Me Leva Folia (Rua Timbiras, 2777 – Barro Preto)



Preços:



Preço por dia



Pista Sertaneja (para o dia 16/07, Sábado) :R$ 50 (meia-entrada) e R$ 100 (inteira) – 2º Lote



Pista Sertaneja (para o dia 17/07, Domingo):R$ 65 (meia-entrada) e R$ 130 (inteira) – 3º Lote



Espaço Alambique (área VIP, para o dia 16/07, Sábado): R$ 85 (meia-entrada) e R$ 170 (inteira) – 2º Lote



Espaço Alambique (área VIP, para o dia 17/07, Domingo): R$ 110 (meia-entrada) e R$ 220 (inteira) – 4º Lote



Camarote Prime (open bar):R$ 280 (masculino) e R$ 200 (feminino)





Passaporte (válido para os dois dias)



Pista Sertaneja: R$ 100 (meia-entrada) e R$ 200 (inteira) – 4º Lote



Espaço Alambique (área VIP): R$ 160 (meia-entrada) e R$ 320 (inteira) – 3º Lote



Camarote Prime (open bar):R$ 460 (masculino) e R$ 330 (feminino)





Preços sujeitos a alterações sem aviso prévio. A meia-entrada é válida para menores de 21 anos e estudantes devidamente identificados. A documentação será cobrada na entrada do evento




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Empresa Americana vendia sexo na Amazônia, diz Polícia Federal

Uma empresa de turismo norte-americana que organizou excursões pesqueiras na Amazônia está sendo investigada sob suspeita de explorar o turismo sexual no Brasil.




A Wet-A-Line Tours é alvo de um processo no Estado da Geórgia, segundo reportagem publicada ontem pelo jornal "The New York Times".



A agência também está sendo processada no Brasil, assim como a Santana Ecofish Safari, parceira que organizava passeios em Manaus.



Segundo investigações da Polícia Federal, ao menos 15 meninas foram vítimas de estupros e aliciamento nas viagens promovidas pelo proprietário da agência norte-americana, Richard Schair.



A empresa, segundo a investigação, utilizava iates luxuosos, camuflados de pesca esportiva para estrangeiros.



"O pacote incluía o turismo sexual", afirma o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Sérgio Fontes.



As meninas são da cidade de Autazes, a 118 km de Manaus, e eram aliciadas, segundo a polícia, para participar dos passeios pesqueiros.



Além de Schair, são réus na ação penal José Lauro Rocha da Silva, proprietário da agência de turismo brasileira, Daniel Geraldo Lopes, Juscelino de Souza Motta e os irmãos Admilson Garcia da Silva e Adilson Garcia da Silva.



O processo do caso está em segredo de Justiça no Brasil.



Em seu site, o grupo norte-americano de ativismo feminino Equality Now afirma que o processo nos EUA foi aberto em junho por quatro meninas, todas de origem indígena, que dizem ter sido forçadas a se prostituir quando tinham menos de 18 anos --a mais jovem tinha 12 anos.



A Equality Now afirma que elas alegam ter sido "vendidas como prostitutas". "No barco, teriam recebido bebida alcoólica e drogas e forçadas a praticar atos sexuais".



O grupo diz que é a primeira ação a usar a Lei de Proteção às Vítimas do Tráfico Humano para pedir compensação às supostas vítimas.



OUTRO LADO



O proprietário da Wet-A-Line Tours, Richard Schair, nega as acusações, segundo o jornal "The New York Times", que publicou ontem reportagem sobre o caso.



Schair negou envolvimento com a prostituição infantil nos depoimentos à Polícia Federal. A Folha não conseguiu localizar o empresário.



A reportagem tentou contato com os advogados dos outros réus na ação brasileira --José Lauro Rocha da Silva, da agência Santana Ecofish Safari, Daniel Geraldo Lopes, Juscelino de Souza Motta e os irmãos Admilson Garcia da Silva e Adilson Garcia da Silva--, mas não teve sucesso até a conclusão desta edição.



O empresário norte-americano tenta suspender temporariamente o processo que corre em seu país.

Fonte.The New York Times".





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